sábado, 14 de dezembro de 2013

Devaneio do nada para lugar nenhum


E aqui estou eu. Compartilhando o horário dos fantasmas. Ouvindo as músicas que eu me proibia de ouvir. Não, não é um poema. É só um texto sendo feito no ritmo dos meus pensamentos.
Sem refletir em gramática, sem evitar repetições. Aqui estou eu, como sempre estive e como sempre estarei. Ouvindo as mesmas óperas velhas sobre histórias dramáticas. Taí. Essa sou eu.
Aceitei muitas coisas ultimamente. Uma delas é que eu sempre vou acabar ouvindo óperas às três da manhã. O copo de vinho acompanha. Vinho barato mesmo. Mas que seja tinto.
Estalo os dedos, sinto os tendões doerem. Me lembro por que doem. Doem porque sou idiota. Doem porque eu deveria parar de ouvir o físico e ouvir a mente. A mente, meus próprios conselhos.
Eu não sei escrever poemas. Até sei, quem não sabe? Mas acho-os bobos. Camões não. Edgar Allan Poe também não. Muito pelo contrário: gosto muito do Sr Poe. Nevermore quoth the raven, certo? Mas não sinto o menor prazer em ler rimas e métricas de metidos a poetas. Me irrita.
Ultimamente me disseram que estou um tanto quanto depressiva. E quem não é? A coisa mais inteligente que falei até hoje é que enquanto maior a ignorância, maior a felicidade. Isso nos leva crer que a felicidade se afasta.
Tenho uma teoria há anos. A teoria de que a felicidade não existe. Nos enganamos. Lemos romances, vemos filmes... Criamos um mundo que não existe e queremos tê-lo como base para nossas vidas. A culpa disso é dos que criam. Nevermore quoth the raven.
O corvo, no final das contas, era a criatura mais brilhante de todas. Nevermore. Nunca mais, disse o corvo. Com apenas uma palavra o bicho consegue ser superior a mim, a você e a todos nós, pobres mortais.
Ando dando umas viajadas nessa coisa do Poe e o Corvo. Primeiro porque andei estudando esse poema. Tenho realmente pesquisado sobre Poe. Segundo porque tenho pensando em fazer uma tatuagem de dois corvos (Hugin e Munin – os corvos de Odin). Eles observam a terra e depois falam para Odin o que aconteceu aqui em midgard.  
Incrível dizer, mas sonhei com corvos ontem – ou seria anteontem? No sonho o corvo me mostrava o caminho para coisas que eu precisava. Segundo aqueles livros de significado de sonhos – tenho um – o corvo representa transformação e iluminação espiritual (?). O que diabos isso significa na minha vida eu não sei.
Corvos são pessimamente vistos na sociedade atual. São pobres coitados. Seu som é associado diretamente a coisas ruins – eu sei, eu já ouvi um corvo de verdade há poucos metros. Não é algo exatamente agradável. – novamente, culpa dos criadores de histórias. Maldito Hitchcock e seus pássaros irritantes usados como trilha sonora. O cara era tão genialmente doido que usava uma coisa irritante como trilha! Brilhantemente assustador.
Perdi completamente o foco do que escrevia. Estou aqui, às 3 da matina escrevendo sobre corvos. Mas afinal, qual era o foco?
Não sei. Parei por aqui. Esse leve devaneio já deu mais de uma página do word. Mas que merda de música é essa que estou ouvindo?! Por que ainda não desliguei o pisca-pisca da árvore de natal? Que coisa mais irritante. Tão feliz, tão alegre. Parece pular de galho em galho como uma maldita pulga colorida. 
Parei minha ópera pra ouvir uma música que alguém postou no facebook. É um lixo. Volto para minha ópera. Nevermore quoth the raven.


Um comentário:

  1. Obrigado por postar , adorei o desenho e o texto , em breve tatuo em mim tambem o hugin , talvez os dois , vai saber ...

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