terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Só mais uma noite bonita

Uma e meia da manhã.
Pegou a mochila e jogou algumas mudas de roupa lá dentro. A câmera no bolso da frente, ao lado da carteira, a lanterna e o canivete (vai que... ).
Separou o dinheiro do pedágio. Parou num posto de gasolina, encheu o tanque, comprou um Doritos e uma coca cola. Voltou pra estrada. Colocou Highway to Hell pra tocar no ultimo volume e acelerou. Vidros abertos, o vento bagunçando o cabelo.
Se houvesse companhia, era bem vinda; mas se não tinha, não fazia falta. Na verdade, até fazia... Mas ignorar este fato era um dos princípios de vida até então.
Reduziu a velocidade quando se aproximou de um radar, se o flash aparecesse o riso também viria; afinal, não haveria nada mais para se fazer além de esperar a carinhosa cartinha do Detran.

Chegou no destino e notou que apenas ele está fazendo barulho no mundo. Abaixar o som assim, sem mais nem menos ou esperar a música morrer? Esperou a música acabar, deixando o silêncio reinar.
Ficou alguns segundos imóvel.
Naqueles poucos segundos notou que havia esquecido as chaves da casa. Mas tudo bem... Assim que amanhecesse o resto do pessoal iria gerar.
Por que tinha que ser tão pontual? o combinado tinha sido chegar na madrugada, para arrumar as coisas e aproveitar o dia seguinte. Mas não... Onde estava o resto das pessoas? Deveriam estar dormindo... Malditos irresponsáveis.

Saiu do carro para esticar as pernas. O vento gelado da madrugada era sempre bem vindo. Sentou-se no capô do carro e encarou a casa. Era tão assustadora quando estava vazia... Tão escura... Os vidros refletiam a luz da lua e davam um aspecto melancólico quando se juntavam com a árvore seca que permanecia no quintal.



Apoiou-se ainda mais no capô e olhou as estrelas. Estavam lindas... Mas tristes. O céu estrelado era uma das milhões de coisas que fazia com que sua mente lembrasse de seu amor de verão. É claro que para os outros dizia que tinha sido apenas um amor de verão... Mas para si admitia que tinha sido muito mais do que aquilo.
Se sofria? Um pouco... Sofria em momentos como aqueles, no qual encontrava-se vendo algo que antes fazia com sua alma gêmea. Mas agora a solidão era sua única companhia...
Voltou para o carro e fechou os olhos.

Algum tempo depois acordou. Simplesmente acordou, sem nenhum barulho na rua. Virou-se para trás para pegar o celular para ver a hora e levou um susto. Havia alguém parado atrás de seu carro.
Voltou a olhar para frente e ouviu os passos se aproximando, até que o sujeito parasse ao seu lado.
Tentou encarar o visitante, mas a luz estava contra seu rosto.
Não houve troca de palavras. O sujeito abriu um pedaço do casaco e mostrou a arma presa na calça, bateu três vezes no vidro, lentamente e sem força. Qualquer um se via na obrigação de abrir o vidro.
A mão livre do sujeito fez um sinal para que pegasse a mochila, e foi isso o que aconteceu.

Passou-se alguns segundos até que criasse coragem de olhar pelo retrovisor para ver que rumo o sujeito havia tomado. Mas outra surpresa: Não havia ninguém na rua. Nem de um lado e nem do outro.
Abriu a porta e saiu. Levou as mãos à cabeça e tentou se acalmar. O sujeito deveria ter corrido... Ou talvez estivesse escondido atrás de alguma coisa... Nunca se sabe.
Virou-se para voltar ao carro e sentiu uma fisgada na barriga. A dor logo se espalhou e se multiplicou. Levou as mãos até a dor e viu seu canivete cravado em seu corpo. As mãos estavam lavadas de sangue.
Caiu de joelhos e viu os pés do sujeito. Tentou olhar para cima, mas não conseguiu. Talvez porque não tinha força, talvez porque estava com medo. Sentiu o sujeito arrastar seu corpo até perto do carro e jogá-lo no banco de trás.
Mesmo com toda a dor ainda conseguia distinguir os sons. O sujeito deu a volta e entrou no carro, ligou-o e voltaram para a estrada. Pelo vidro conseguia ver a lua... A iluminação da rodovia e os fios elétricos... Depois disso, nada mais.

Era uma bela noite estrelada, com um belo luar e uma brisa confortável... Muitos olhavam para cima, mas ninguém olhava para baixo.

6 comentários:

  1. uiiii q medinhooo, ficou muito bom gabi

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  2. Vai escrever um livro? uhsa... muito legal... (y)

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  3. nuss q massa, só não esperava que terminasse como terminou O.o *medo*

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  4. Poderia falar muita coisa.
    Mas não mudaria o que seu conto me causou.
    Ficou sensacional.

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  5. Cara,pq vc diz q não escreve bem?Vc escreve muuuuito bem!Ultimamente,contos de terror raramente estam me prendendo ate o fim,pq eles abusam de clichês.Pra vc ter ideia,no genero terror só Stephen King e Edgar Alan Poe q estam me prendendo...e seus contos tmb!Serio,virei fã do teu blog!

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  6. muito obrigada,
    mas acho que posso melhorar muito ainda.

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